The Office – 7×21 – Goodbye, Michael
2/05/2011 por Neide Campos
Categoria: Comentários de episódios, The Office

Por Caetano Barsoteli
Não foi fácil; foi amargo, foi seco, foi uma infelicidade tremenda se despedir de Michael Scott, e “Goodbye, Michael” foi tudo menos um episódio em que a emoção tomou proporções grandiosas; “Goodbye Michael” preferiu nos emocionar de uma maneira comedida, sem choros copiosos e sem grandes dramas, mas definitivamente cumpriu o que propôs e nos proporcionou os últimos adoráveis momentos de um personagem maravilhoso para fixarmos na mente, já sabendo que nunca o veremos novamente.
Com exceção da sub-trama envolvendo Andy e Deangelo (falo mais disso abaixo), “Goodbye, Michael” foi um episódio satisfatório. As despedidas individuais que Michael fez com seus amigos de escritório se revelaram como momentos de genuíno humor, e se não fosse a decisão de adiantar sua despedida, porém sem a ciência dos demais, os momentos de Michael com cada um dos personagens seriam muito mais emotivos do que engraçados – e aqui a preferência pelo humor surgiu como uma opção muitíssimo apropriada a um personagem que sempre foi exímio na tarefa de nos fazer rir.
Nestas despedidas, a evolução de Michael é denotada por seus discursos: os conselhos amorosos que ele dá a Erin, com tanta propriedade, soariam inacreditáveis se olhássemos para este momento há duas, três temporadas atrás, quanto mais no começo da série. Mas agora, é possível acreditar em Michael, já que este encontrara o amor de sua vida; e testemunhar o personagem com tanta convicção e sabedoria, no papel de conselheiro amoroso, é de uma satisfação enorme.
Quando se despede de Andy, Michael relembra de um antigo Andy Bernard e usa essa lembrança como razão para presentear-lhe com seus melhores clientes. Michael diz que “Nard-Dog” é o melhor vendedor dali porque este vendeu a todos um Andy que ninguém queria comprar. E isso é verdade: Andy, um personagem que no começo da série mais parecia com uma versão menos exagerada de Dwight, se desenvolveu aos poucos para uma figura de personalidade própria, amigável e extremamente cativante – e se há algo que salva os seus momentos com Deangelo neste episódio é exatamente sua simpatia, trazida ao personagem com tanta facilidade por Ed Helms.
Nos seus últimos momentos com Oscar, Steve Carell (impecável durante todo o episódio), após Michael ter presenteado o colega, surge em tela com uma gargalhada contagiante e natural, que nos surpreende por ser um momento de humor histérico que certamente não estávamos esperando. O mesmo vale para suas hilárias palavras “motivadoras” a Kevin e suas expressões de quem atura uma situação com muito custo quando se despede de Angela e Toby – este último simplesmente diz a Michael que tem um irmão vivendo na cidade para onde o chefe partirá (!). Por esta, se não fosse o amor inabalável por Holly, Michael com certeza pensaria mais uma vez antes de partir.
Mas a verdade é que Michael pensa mais uma vez antes de partir, quando emocionado (e instantaneamente emocionando o espectador) assiste da outra mesa seus colegas almoçarem enquanto conversam trivialidades sobre o escritório. Michael percebe naquele momento, um dos mais comuns na rotina da Dundler Mifflen, o quanto sentirá falta daqueles seus amigos, naqueles momentos mais simples. Abalado e triste, ele revela para a câmera que não aguentará partir, para logo depois se recompor ao ouvir a voz de Holly pelo telefone – e a perfeita aplicação deste momento pontual no episódio traduz tudo o que Holly significa para Michael, deixando-nos definitivamente seguros de que o chefe realmente parte por bem, por amar verdadeiramente alguém que tanto e por tanto tempo buscou. E mais uma vez Steve Carell merece créditos pela cena, ao fazer a transição perfeita de alguém abalado e com lágrimas nos olhos para alguém que é rapidamente reconfortado e alegrado pela mulher que ama.
Infelizmente, “Goodbye, Michael” também teve sua parcela de erros. Nada em relação a Michael, felizmente, mas sim em relação a Deangelo. Não posso reclamar de Will Ferrell, já que sua atuação na verdade contribui para o personagem, mas a indefinição do roteiro ao ilustrar sua figura se mostra mais uma vez um empecilho para que possamos apreciá-lo. Quando este revela seu problema com obesidade, por exemplo, logo somos assaltados por risadas, mas quando embarca com Andy para recuperar um cliente perdido, suas atitudes mais parecem a de alguém sob efeito de drogas do que outra coisa – e isso, ao contrário do que parece, não se revela engraçado, apenas estranho, ainda que o momento em que ele “vende” a imagem de Andy para um cliente soe engraçado, apesar de ser um momento de humor bastante bobo.
Por outro lado, “Goodbye, Michael” acerta até nos pormenores envolvendo todo o resto – principalmente Michael. Tanto os flagrantes dentro do banheiro (com direito a Creed usando o toalete feminino e ainda repreendendo Gabe por entrar nele) quanto as despedidas coletivas hilárias e apropriadas de Michael a Creed, Meredith e Gabe; além de sua tentativa de usar a empacotadeira, resultando em sistemáticas tentativas do chefe de acertar a cesta de basquete do armazém; surgiram como momentos em que o humor funcionou como deveria e nos entregou um pouco mais de Michael para guardarmos na memória.
Aliás, tivemos outros vários momentos de Michael para guardarmos na memória e que valem ser mencionados: a rima visual que vemos logo no início do episódio, onde Michael repete o gesto de ajeitar seu troféu Dundie de melhor chefe do mundo na mesa, assim como fez lá na segunda temporada (e assim como fora repetido sistematicamente na abertura da série) é um momento agradável que simboliza a conclusão do personagem; a simples porém satisfatória resolução de seu relacionamento com Dwight, que nos leva a lembrar tudo o que os dois personagens foram juntos; sua última reunião com o pessoal, aflito por Pam demorar a chegar; e sua conversa com Jim, a mais emocionante do episódio.
Vale dizer, aliás, que o reconhecimento de Jim, que sempre foi o mais sensato ao contestar as atitudes e decisões de seu chefe por Michael, foi tocante especialmente por denotar, como já havia mencionado a evolução do personagem de Carell e, também, do próprio Jim, que sincero ou não ao dizer que Michael fora o melhor chefe que já teve, certamente possuía alguma franqueza ao proferir aquelas palavras naquele momento – algo que também não engoliríamos se isso acontecesse no começo da série.
A despedida de Michael é concretizada com certa amargura. Sua partida pouco calorosa, apenas contemplando aquela última imagem do escritório onde vivera tantos bons momentos, é triste e seca. O microfone que este desliga do corpo, embora não apresente muita lógica visto que o realismo do formato documental da série já não é seguido à risca há um bom tempo, ainda funciona como um momento de efeito simbólico – e não poderia ser outras palavras que Michael diz ao se “desconectar” da série a não ser seu característico “that’s what she said” (foi isso que ela disse). E finalmente, a típica cena da despedida em cima da hora vem para fechar tudo, quando uma Pam correndo desesperada a procura de um último contato físico com seu chefe parte não o coração de Michael Scott, mas os nossos.
O motivo disso é explicado pelas palavras reveladoras de Michael: seus colegas de trabalho foram por muito tempo sua família. Agora, são apenas seus melhores amigos, já que sua família ele irá encontrar e desenvolver quando chegar a Boulder, seu novo lar. Em Scranton, permanecem nós, os espectadores, que passaremos a acompanhar a rotina do escritório sem o personagem fascinante de Steve Carell. Assim, ficamos sentidos por sua ida, enquanto Michael, apesar de também sentido, está e sempre estará convicto de que esta foi a melhor decisão que tomou em sua vida, que agora ruma para a conquista dos sonhos que sempre teve.
Puxando para a fria realidade, Michael apenas se foi porque Carell decidiu ir; sua saída antes do término da série não foi planejada pelos roteiristas. Mas felizmente estes encontraram a maneira perfeita de tramar sua despedida e dar a Michael Scott uma realização natural em todos os sentidos, e eu só tenho a agradecê-los por isso.
Mas voltando para dentro de The Office, apenas me resta dizer, para também dar fim a este longuíssimo texto as seguintes palavras simplórias:
Adeus, Michael! Até algum dia, ou até nunca mais. Foi bom tê-lo como o melhor chefe do mundo.





Espero que mandem o Ferrel embora rapidinho! Não vejo como ele se encaixar ali!