Fringe – 3×15 – Subject 13

Sensacional. Um dos melhores episódios de toda a série. Extremamente adorável.

Subject 13 mostra o primeiro encontro entre Olivia e Peter, reforça a violência do padrasto menina, os testes com Cortexiphan que Walter realizava nas crianças, sobretudo em Olivia, e ainda mostra o Walternativo sofrendo pelo rapto de seu filho, e como ele chegou à conclusão de onde seu filho estava.

Pois bem, logo no início a gente viu que Walter não tem escrúpulo algum em utilizar crianças em seus testes, pior, estimula reações de medo e terror em Olivia, uma menina completamente indefesa, e ainda teria coragem de sacrificá-la para evitar maiores confrontos e salvar a vida de milhões.

É aí que a gente entende um dos porquês dos testes com Cortexiphan: encontrar uma maneira de levar Peter de volta ao seu universo sem causar mais danos do que Walter já tinha causado.

Ele fica cego diante da possibilidade que Olivia apresenta de poder atravessar ao outro universo. Por mais que sejam compreensíveis e lógicas as ideias da importância da passagem e a do sacrifício da menina pelo bem maior, não posso deixar de pensar na monstruosidade que elas representam e simultaneamente refletem no Walter.

E hoje em dia Walter julga que o Walternativo é mau, um monstro capaz de tudo. Pergunto: quem é o monstro agora? Acho que uma das finalidades do episódio foi justamente essa, reforçar uma faceta do Walter que a gente conhecia vagamente, mas já tinha esquecido ao ver sua dedicação ao filho. O episódio joga em cima da gente a dúvida de quem é o bom e o mau dessa história, e se realmente a gente pode fazer esse tipo de julgamento sobre os personagens, afinal, ambos estão interessados no bem do povo de cada universo.

Para reforçar ainda mais isso, a gente vê o Walternativo se afogando na bebida e lamentando o rapto do filho com um quê de ironia pela situação toda. Ele, um Czar da segurança da nação, foi incapaz de proteger seu filho. E ainda afunda seu casamento.

Se a intenção dos roteiristas era humanizar o Walternativo, confesso que pelo menos comigo funcionou. Fiquei emocionada quando ele implora para Elizabeth lembrar mais uma vez o que aconteceu na noite do rapto e ainda emenda um ‘ele é meu garoto. Eu não posso perdê-lo’. Sofri.

Só tenho uma coisa a dizer, pela milésima vez: John Noble, seu lindo! Como ele é perfeito interpretando o Walter e o Walternativo, né? O elenco inteiro estava perfeito nesse episódio. O que foram aquelas crianças interpretando Olivia e Peter? Juro que arrepiei na cena em que Olivia confessa ao Walternativo que seu padrasto batia nela. Muito emocionante. O melhor, é que ela tinha atravessado para o outro universo e estava falando com o Walternativo! Gente, surtei muito, muito mesmo. Muito foda, com o perdão da palavra. E foi assim que ele descobriu onde seu filho estava.

Eu só tenho um problema com esse episódio. Como é que Olivia e Peter não se lembram de já terem se conhecido antes? Olivia consegue se lembrar do padrasto violento, Peter consegue se lembrar de sua infância, mas não se lembra do encontro com Olivia e da cena linda no campo cheio de tulipas brancas (de novo elas!). Por que não se lembram?

O esquecimento do Walter a gente até pode relevar, pois teve partes retiradas do seu cérebro e, consequentemente, não se lembra de muita coisa, mas não fiquei satisfeita com a falta de explicação da ausência de memória de Olivia e Peter. Entretanto, tenho esperança de que isso seja explicado mais para frente. Será que Walter fez algum experimento nos filhos para não lembrarem? Se fez, o que o levou a fazer isso?

Outro fato a ser lembrado é que Peter não esqueceu que vinha de outro lugar e dizia isso repetidamente a Elizabeth (aliás, Orla Brady estava muito bem no episódio), que sempre dava como desculpa o fato dele ter ficado doente durante muito tempo e estar confundindo as coisas. Onde foram parar essas memórias?

Subject 13 foi importante, pois funcionou como uma continuação do episódio Peter da segunda temporada, mostrando os personagens lidando com as consequências de seus atos e como isso é refletido nos dias atuais.

Diante de um episódio como esse, sempre fico com a sensação do que mais a gente não conhece sobre os personagens, e o que ainda dá para ser explorado para fugir do óbvio e dar respostas ao público sobre o comportamento dos personagens e andamento da série. Será que ainda há mais coisas para serem desenterradas? Torço para que haja sempre e que Fringe traga mais episódios tão bons como esse.

E os detalhes:

  • O Observer está aqui:

  • Os Glyphs formaram a palavra ‘Switch’, que na forma verbal significa trocar, mudar; e na forma nominal significa interruptor, comutador. Provavelmente, a palavra está associada à habilidade de Olivia de atravessar de um universo para o outro, e como ela consegue isso.
  • Existe uma empresa similar a Massive Dynamic lá do outro lado, a Bishop Dynamic. Será que ela ainda existe?
  • Os episódios geralmente trazem Glyphs escondidos em algumas cenas. Nesse episódio vi os cavalos marinhos não tão escondidos assim, na geladeira da Elizabeth, ó:

  • As tulipas foram recorrentes no episódio. Creio que a principal função da presença delas, além daquela cena linda, linda entre Olivia e Peter, foi funcionar como metáfora para o que ainda está por vir: o professor sentia falta das tulipas e usou o cérebro e a imaginação para transformar o mundo no que ele queria. Isso não é a cara do Peter quando ele fala que prefere acreditar que existe outra solução que não seja a destruição de um dos universos? Inteligente ele é, imaginação ele tem, só falta ver como isso será aproveitado.
  • Ok, essa história é meio longa, mas vale a pena: Olivia aparece lendo um livro chamado Winter’s Tale, de Mark Helprin, que foi publicado em 1983. Nele, um jovem órfão e mecânico chamado Peter Lake é forçado a entrar para uma gangue de assaltantes e faz um inimigo lá, que quer acabar com ele. Quando Peter foge da gangue, um cavalo branco aparece, salva sua vida e passa a protegê-lo.

Numa das tentativas de roubo que Peter faz, ele conhece Beverly Penn, uma jovem que estava morrendo. Curiosamente, Beverly é descrita como uma personagem que consegue sentir o universo, ela tem uma conexão diferente com ele. Ambos os jovens se apaixonam, Beverly faz de tudo para proteger seu amado, inclusive depois de morta.

Com a morte de Beverly, Peter se torna obcecado pela justiça. Numa de suas fugas com o cavalo, eles sofrem um acidente, desaparecem, retornam anos depois e Peter não se lembra de nada, nem quem realmente é, porém, retorna com poderes de ver e ouvir coisas que ninguém consegue, capaz inclusive de realizar milagres.

Aí, que um belo dia, em meio ao caos que estava a cidade, Peter decide sacrificar sua própria vida para ressuscitar uma criança do mundo dos mortos, e seu sacrifício acaba por salvar o mundo.

Ok, tudo isso que vem agora pode ser viagem minha, mas, pergunto: o enredo do livro não lembra um pouco a história de Olivia e Peter, com um outro personagem que tenta protegê-lo a todo custo (Oi, Walter!)? Será uma dica do que pode vir por aí? Será que a gente pode associar a criança ressuscitada ao filho do Peter como símbolo da salvação dos universos ou de somente um dos? Será que o Peter vai morrer, se sacrificar pela existência dos universos?

Quer ironia maior? O Walter estava disposto a sacrificar a Olivia quando pequena, agora teria de sacrificar seu filho. Lembra do episódio The Firefly e o que o Observer disse? Quando chegasse o momento certo, Walter seria capaz de sacrificar seu filho. Será?

Camila Moreira

Camila Moreira postou 93 no Guia de Seriados.

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Comentários

6 comentários para “Fringe – 3×15 – Subject 13”

  1. Djeine comentou dia 27/02/2011 às 23:13:

    Fantástico, o melhor de todos. Excelente review, Sim, eu tbém espero uma resposta do porquê Peter e Olivia não se lembram do encontro. Agora as crianças os interpertraram a altura, não?

  2. Lorena comentou dia 27/02/2011 às 23:27:

    Ótimo review. Muito interessantes as informações sobre o livro que Olive estava lendo e o paralelo com a série. Não creio que seja viagem sua, já que, em Fringe, nada é colocado por acaso e os criadores sempre inserem pequenos detalhes com dicas sobre os episódios seguintes.
    Também estou morrendo de curiosidade em saber o porquê de Peter e Olive terem esquecido o que ocorreu com eles, sobre universos paralelos, já tere se encontrado, testes com cortexiphan… Acredito que Walter tenha feito algo com eles ou que haja outra boa explicação.
    O episódio foi fantástico, assim como essa 3ª temporada. E, com isso, continua na ansiedade de, aos sábados, esperar notícias sobre a audiência e, dessa forma, esperar pela próxima temporada.

  3. Camila comentou dia 28/02/2011 às 9:51:

    Fan-tás-ti-co! perfeito demais esse episódio, simplesmente o melhor da série (juntamente com Peter).

    o jeito que eles nos fazem pensar em qual Walter é mau e qual não é (ou ainda se os dois são ou se nenhum dos dois é, já que ambos só tentaram salvar seus universos e, no caso do Walter, concertar o que ele tinha feito de ruim antes) simplesmente mexeu comigo, fiquei inquieta aqui pensando e pensando no que irá acontecer.

    Peter e Olivia pequenos, juntos no campo de lírios, que cena lindaaaaa! *-*
    alias, deu pra sentir que eles se conectaram logo de cara, quando se olham pelo espelho. estou confusa também em como eles não se lembram, mas tenho certeza de que vão explicar, como sempre explicam. as crianças estavam impecáveis e ainda vimos o Nick pequeno fazendo aquela brincadeira horrível com a Olive, que coisa feia, rsrs.

    sobre o livro, nossa, será mesmo que isso vai acontecer? espero que nenhum dos mundos seja destruído, mas se algum for, tomara que não seja o nosso, pois, apesar de o outro não ser mau, pô, é o nosso mundo sabe, onde estão todos os personagens que amamos e tudo o que aconteceu (em sua maioria). humanizar o outro universo é muito bom, me fez ficar emocionada, de verdade.

    esperando ansiosamente por sábado que vem!

  4. taisa comentou dia 28/02/2011 às 13:53:

    no episodio 2×19, quando peter descobre que ele veio do outro universo, ele fala que não se lembra da sua infância. È possivel que walter tenha feita algo, como drogas ou hipionese (para que ele parasse de encher o saco querendo voltar). Não me conveceu no final do episodio que o pequeno Peter tenha se convecido que ele está no mundo certo. Agora, o motivo e como walter tenha conseguido apagar a memória de oliva quando conheceu peter sem ter apagado sua infancia toda, não sei o porquê.

  5. MOABI comentou dia 3/03/2011 às 14:55:

    Gostei do episodio, mais tenho uma resolva a fazer sobre os objetos eletrônicos que aparece na casa do Walternativo em 1985. Na sala aparece uma tv do começo da década de 80 que usa um disco pra trocar de canal, em 1982 já não se usava mais seletor de discos nos televisores. Na cena do quarto de casal aparece um rádio-relógio com display mecânico da década de 70, mais nos anos 80 os rádios relógios com display digital já era padrão. Por ultimo no quarto do Peter aparece um Macintosh 128k que não tinha nem HD.

    Se fosse no universo azul “nosso” não seria nada demais porque os eletrônicos de cena estão condizentes com a época, mais como já disseram na própria serie, a tecnologia do universo vermelho “paralelo” é 20 mais avançada tanto quem em outro episódico mostra o Walter em 1985 com um protótipo de celular V3 copiado do universo vermelho.

    Para resolver isso serie bem simples, bastava colocar uma tv de plasma ou LCD na sala, no quarto poderia ser manter o mesmo rádio-relógio mecânico, afinal até hoje ainda tem gente que usa esse tipo de rádio-relógio. Já no quarto do Peter, um simples notebook já resolvia.

    E outra, o Peter do universo vermelho notaria facilmente as diferenças tecnológicas já que crianças reparam muito nessas coisas, seria o mesmo que pegar um garoto do nosso universo acostumado a jogar num Xbox 360 ligado numa tv de LCD e mandar pra um universo paralelo com a tecnologia 20 anos mais atrasada aonde ele encontra um Atari 2600 numa tv de tubo. Apesar de que no episodio o Peter notou a diferença entre o Lanterna Verde e o Lanterna Vermelho. :)

  6. Rainor comentou dia 6/03/2011 às 15:24:

    Gostei do episódio, fugiu do padrão “mortes fantásticas, cientista louco” . Mas realmente não compreendi como Peter e Olivia não se lembram um do outro, talvez seja efeito das drogas na Olívia…. mas e o Peter?



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