Fringe – 3×10 – The Firefly

The Firefly, ou o melhor episódio desta temporada de Fringe. Para mim, um dos melhores de toda a série. O roteiro é maravilhoso, consistente, cheio de mistério, humor, drama e Walter Bishop no centro de tudo. Só tenho uma coisa a dizer sobre ele: John Noble, seu lindo!

Semanas depois de Marionette, Fringe retornou na temida sexta-feira com uma boa audiência (4.9 milhões), mas, convenhamos, ainda tem de melhorar. Ok, foi o índice inicial, mas como será na próxima sexta, quando Fringe terá como concorrente Supernatural? Ficaria muito mais feliz e tranquila se fosse pelo menos uns 6 milhões. Tenso.

The Firefly é um episódio perfeito, traz a versão de Fringe para o efeito borboleta, mostrando como mudar um pequeno detalhe pode causar um efeito devastador, alterando significativamente o equilíbrio entre diferentes realidades. Aí que entra o Observer, que neste episódio provou ser um manipulador de mão cheia ao testar Walter.

Mas vamos por partes.  O episódio tem início com Walter fazendo experimentos em si para reparar seu cérebro, aquela parte que William Bell removeu. Segundo Walter, se ele conseguir recuperar o intelecto que tinha, ele conseguirá pensar como o Walternativo, saber o que ele planeja e defender o Peter. Agora, vai me dizer que você não riu ao ver John Noble com samba-canção cheia de desenho de guitarras e com a calça no tornozelo durante a cena? Muito bom!

Em seguida, a gente conhece o tecladista da banda favorita de Walter, cujo filho foi morto após um acidente. Curiosamente, Roscoe Joyce (Christopher Lloyd) vê e conversa com seu filho 25 anos depois. Mais tarde Walter diz que o Observer pode ter viajado no tempo e trazido o filho dele de 1985 para dar uma mensagem, neste caso, a de que Walter precisa da ajuda de Joyce. Antes da explicação do Walter, jurava que Bobby veio do outro universo, que era um Bobby alternativo.

Enquanto isso, o Observer faz a sua melhor aparição de todo o episódio, mas desta vez ele não assiste a algum acontecimento importante, mas sim participa e interfere numa ação ao deter um assalto numa joalheria. É ladrão voando contra o vidro, golpes, e o Observer com aquela cara de paisagem pegando tiros no ar. E ele ainda salva a vendedora que estava lá sem respirar. Surtei.

Mas por que ele fez isso?  Penso em duas possibilidades: corrigir erros, já que mais para frente ele pede a ajuda de Walter para reestabelecer o equilíbrio; ou somente para testar Walter, como o Observer deixa claro no final do episódio, que Walter realmente está pronto para o que está por vir.

Esse papo de reestabelecer o equilíbrio acontece quando o Observer vai ao laboratório de Walter para conversar com ele. Daí vem uma das partes que mais gostei do episódio, quando Walter implora para ficar em Peter, enquanto o Observer conta que o simples fato de ele ter salvado os dois do lago congelado garantiu a existência de Peter, que mais tarde pegou um vagalume, que não foi pego por uma menina, que passou horas procurando um vagalume, e seu pai foi atrás dela, sofreu um acidente que resultou numa morte. Achei sensacional.

Mas, assim como Walter, pergunto-me se realmente essa história aconteceu, porque se o Observer estava testando ele e armou toda essa confusão, essa história poderia muito bem ter sido inventada. Seria uma pena, pois a história é maravilhosa, porém não há como ignorar que existe a possibilidade de tudo ser mentira. E a gente fica com essa dúvida na cabeça.

Além disso, se a moça da joalheria tem alguma coisa a ver com o passado de Peter, o que os une, então? Joyce tem uma ligação com Walter, porque a morte que ocorreu no acidente é a do seu filho, mas sobre a moça nada é mencionado. Walter até chega a fazer a pergunta ‘onde ela estava em 1985’, porém, em seguida acontece o acidente com os carros provocado pelo Observer. Será que ela era a menina que ficou procurando o vagalume?

Tem mais, depois de tudo o que o Observer disse ao Walter, como é que ele pôde interferir num acontecimento, neste caso, no roubo da joalheria e mais tarde ao provocar o acidente com os carros? Será que isso não trará consequências mais para frente?

Nesse meio tempo Walter já juntou as peças do quebra-cabeça, o Observer está tentando restabelecer o equilíbrio perdido quando Walter trouxe Peter do mundo alternativo. Mas, para que isso aconteça, significa que ele perderá Peter. E Walter cai no desespero. O que foi aquela cena extremamente emocionante entre pai e filho quando Peter fala a fatídica frase (já dita pelo Observer) ‘dê-me as chaves e salve a garota’. Pronto, morri.

Ressuscitei e tornei a morrer de novo duas vezes: quando Walter tenta impedir Peter de ir atrás do Observer e Olivia (que trabalho lindo do John Noble, né?), e quando Peter sai do carro. Morrer eu sei que ele não ia morrer, mas fiquei apreensiva pensando que algo muito grave aconteceria, daí que a cena em que Peter desvia dos carros, cai no meio da rua e o carro freia em cima dele foi muito tensa para mim.

Lembra dos experimentos do Walter para recuperar seu intelecto? Pois bem, ele fez um soro que por engano Peter bebeu. Aconteceu que Peter teve um treco e fico todo se contorcendo no chão, e o Walter pensa que o Observer fez tudo isso para salvá-lo, para que Peter bebesse o soro no lugar do Walter e evitasse que ele morresse. Aham. Se assim fosse, não seria mais fácil ele ter dito isso quando foi ao laboratório?

Deu para perceber que o Observer estava fazendo tudo isso para Walter se sentir culpado por ter trazido Peter, não é? E também estava testando o Walter. Uma hora ele vai ter de sacrificar seu filho pelo bem dos universos. Se a gente pensar dessa forma faz mais sentido a frase ‘deve ser muito difícil ser pai’ do Observer ao Peter.

Paralelamente, a gente tem a história do Peter e Olivia. Desta vez, ela recebe um presente dele, mas logo entende que na realidade era para a BOlivia, e não para ela, e entrega o livro a Peter, que depois devolve a Olivia dizendo que queria que ela o conhecesse melhor, não a BOlivia. E Anna Torv arrasando mais uma vez, tanto que até chego a sentir dó da personagem. Mesmo.

E parar terminar:

  • Neste episódio nem deu para brincar de Onde Está o Wally para achar o Observer, mas, como sempre, teve Glyph Code, que formou a palavra ‘unites’, que significa ‘une’, pensei estar associada ao estabelecimento da ordem dos acontecimentos, ou ainda na união dos personagens envolvidos na trama/teste do Observer, ou também numa possível união entre Walter e o Observer na tentativa de restabelecer a ordem, afinal, o Observer pediu a ajuda dele, né?
  • Repararam na recorrência do tema de reação em cadeia? Aqui, tudo começou com Bobby aparecendo para seu pai e acabou com Peter levando um tiro do Observer. Em outro episódio desta temporada, The Plateau, o moço da caneta também provocava reações em cadeia originando acidentes e mortes.
  • Só eu gargalhei quando Joyce diz a Walter que gosta de milkshake de morango? E quando ele chama a Astrid de Kelly? Muito a cara do Walter.
  • Astrid estava excepcionalmente bem neste episódio, mesmo que com pequenas participações. O que foi ela com os olhos cheios de lágrimas enquanto Joyce tocava piano? Sempre apoiando o Walter. Bonito de ver.

Camila Moreira

Camila Moreira postou 93 no Guia de Seriados.

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Comentários

10 comentários para “Fringe – 3×10 – The Firefly”

  1. Hélio comentou dia 23/01/2011 às 0:57:

    Ainda teve uma referência a Twin Peaks! Classicão. Os óculos são do Dr. Jacoby, psiquiatra bizarro da série bizarra da cabeça bizarra do David Lynch! Fringe sempre surpreendendo…

  2. Camila Moreira comentou dia 23/01/2011 às 8:22:

    Bem lembrado, Hélio! Falei um monte de coisa e esqueci de mencionar isso! :)

  3. Rainor comentou dia 23/01/2011 às 9:37:

    Adoro Fringe, porém achei esse episódio meio confuso e até meio chato. Universo paralelo é legal, mas ir e vir no tempo acho forçar demais a barra. Ora, se houve algum desequilíbrio no passado, porque os carecas apenas não voltam lá e impedem? Não sei, esse negócio de viagens no tempo pode transformar Fringe num samba do crioulo doido.

  4. Diego comentou dia 23/01/2011 às 11:30:

    o próprio Walter respondeu essa pergunta, do pq os Observadores simplesmente não voltam no tempo e impedem q tudo aconteça: “Ele não é humano. Não pode esperar que ele pense como nós.”

  5. Camila Moreira comentou dia 23/01/2011 às 13:59:

    Rainor, enquanto eu escrevia a review pensei a mesma coisa sobre o Observer voltar no tempo e consertar tudo. Por isso duvidei que o Bobby era do passado, duvidei que a história contada pelo Observer fosse verdade, e também acho que resumir tudo a voltar no tempo seria muito simplista para uma série como Fringe. Mas mesmo assim adorei como tudo isso aprofundou na mitologia da série, principalmente nessa parte de reação em cadeia, por isso considero o episódio um dos melhores da série.

  6. weverton comentou dia 23/01/2011 às 15:32:

    Realmente, um dos melhores episódios de Fringe, que, aliás, nesta temporada esta acertando todas. A melhor cena pra mim neste episódio foi quando Joyce toca piano falando de seu filho, foi simplesmente perfeita a cena. Nunca vi tanto empenho empregado em uma cena.

  7. Natalia comentou dia 23/01/2011 às 18:22:

    Adoro esse negócio de reação em cadeia, eu acredito que tudo tem um jeito e um porque de acontecer e que tem que acontecer de determinada maneira.

    Na verdade acredito que essa estória seja um contraponto com a própria estória da temporada (os universos paralelos) porque se vc realmente acha que tudo tem que acontecer de um determinado jeito, entao as escolhas que fazemos jah estao traçadas, não havendo espaço para uma escolha diferente que em outro universo levaria a resultados e experiencias diferentes.

    Ficou meio confuso de entender né?

  8. gabriel comentou dia 25/01/2011 às 17:37:

    qual a possibilidade da menina que ficou até tarde pra pegar o inseto, seja a mulher que trabalha no banco ?

  9. Jackson comentou dia 25/01/2011 às 19:50:

    O que eu achei meio decepcionante no final foi que o Observador não estava tentando consertar nada, tudo foi elaborado apenas como um TESTE para o Walter, pra ver se ele seria capaz de sacrificar o filho “pelo que é certo”. Queira ou não, o carecão interferiu mais uma vez na ordem natural das coisas… só pra ver “qualé”, numa linguagem simples, hehehe. Mas enfim, aguardemos o que vai sair de tudo isso…

  10. Andre comentou dia 27/01/2011 às 0:06:

    Não malandrão, acho que vc nao se ligou no episódio… Ele fez tudo aquilo (tudo bem que foi bem exagerado) para salvar a vida do Walter, pois se ele tivesse tomado aquele composto que ele criou, seu corpo não aguentaria e ele morreria, então ele mudou os acontecimentos para que Peter o tomasse, e ao mesmo tempo, testar o Walter e ver se ele seria capaz de sacrificar a vida do Peter.



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